GASTRONOMIA SUSTENTÁVEL: A GRANDE IMPULSIONADORA DO TURISMO

Rafael Angelo Abud e Virgílio N.S. Carvalho

 

O turismo moderno está cada vez mais enriquecido pelas iniciativas empreendedoras da gastronomia, principalmente pela descoberta de que a alimentação deixou de ser apenas um complemento da viagem, ocupando lugar de destaque no conjunto.

A consciência ambiental e os fatores sócio culturais transformaram o que era simplesmente alimentação em GASTRONOMIA SUSTENTÁVEL, que assumiu definitivamente o lugar de destaque no turismo responsável, contribuindo para uma revolução de valores.

Com a mudança de comportamento, os turistas, além das belezas naturais, querem também experimentar os pratos típicos que invariavelmente vêm acompanhados de uma história cativante e de práticas sustentáveis que respeitam o meio ambiente.

A FÓRMULA DO SUCESSO está em localidades onde projetos de turismo comunitário unem gastronomia típica, economia solidária e experiência cultural, atraindo visitantes interessados em vivências genuínas e responsáveis.

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Por:  Rafael Angelo Abud e Virgílio N.S. Carvalho

Rafael Angelo Abud é fundador e Presidente da Confederação Brasileira de Turismo Sustentável e Virgílio N.S. Carvalho é Diretor de Planejamento da CONTURESP

Agradecemos a todos pela BOA leitura e participação!


 Luiz Maggio .’.
Jornalista MTB 62420
Editor do Jornal Digital ClickUS – Acontecimentos Mundiais
www.clickus.com.br 

Conselheiro de Turismo do Estado de SP – CONTURESP
Conselheiro de Turismo do Município de SP – COMTUR
Vice-Presidente da ABRAJET SP
E-mail: luizmaggio@gmail.com
WhatsApp: +55 (11) 98270-1536

Sobre o Jornal Digital ClickUS
O ClickUS Jornal Digital é um veículo dedicado a promover o turismo, a cultura e os negócios no Brasil e no exterior. Com uma abordagem dinâmica e informativa, destacamos iniciativas e personalidades que contribuem para o desenvolvimento do setor.

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Luiz Maggio – EDITOR

 

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É com grande satisfação que o ClickUS Jornal Digital abre espaço para uma conversa essencial, conduzida por Luiz Maggio, Editor do ClickUS, com uma das vozes mais ativas e dedicadas do interior paulista: a Vereadora Bete do Broa.

Em um cenário onde o Turismo se consolida como vetor de desenvolvimento social e econômico, entender a visão e os projetos de quem atua diretamente no Legislativo é fundamental.

A Vereadora Bete do Broa não apenas representa sua base, mas carrega em sua trajetória o compromisso de transformar cidades por meio de políticas públicas eficazes no setor. Nesta entrevista exclusiva, ela compartilha seus desafios, as estratégias para atrair investimentos e o caminho para colocar o interior do estado no mapa dos grandes destinos turísticos do Brasil.

IMPORTANTE: As respostas e declarações contidas nesta entrevista são de total e exclusiva responsabilidade da entrevistada.

Acompanhe a seguir a visão de uma líder que faz da paixão pelo Turismo sua principal bandeira.

 Bete. Obrigado por receber a reportagem do ClickUS. Vamos direto às perguntas.

1. O “Broa” no seu nome é mais do que um apelido, é uma identidade política. Como a senhora traduz a luta em defesa da Represa do Broa e do meio ambiente para a prática legislativa na Câmara Municipal, especialmente com sua formação em Gestão Ambiental?
O ‘Broa’ no meu nome não é um apelido, é a minha identidade política e a razão de grande parte da minha luta. A Represa do Broa representa muito mais do que um cartão-postal para Itirapina: ela é um patrimônio ambiental, social, econômico e turístico que precisa ser defendido diariamente.
Como vereadora e profissional formada em Gestão Ambiental, eu traduzo essa luta para a prática legislativa de três formas claras:
1. Fiscalização firme e sem medo
Acompanho de perto tudo o que envolve o Broa, da gestão da portaria e do pedágio às condições de manutenção, saneamento, segurança e uso adequado do espaço. Quando encontro irregularidades, eu denuncio. Quando identifico riscos ambientais, eu cobro soluções. Essa é a minha obrigação enquanto fiscal do povo, e faço isso com total transparência.
2. Propostas e políticas públicas voltadas ao meio ambiente e ao turismo sustentável
Minha formação me dá base técnica para propor projetos e requerimentos que garantam o uso responsável da represa, a proteção da biodiversidade, o estímulo ao turismo organizado e o fortalecimento do comércio local. Luto para que o Broa seja visto como eixo de desenvolvimento e não apenas como fonte de arrecadação.
3. Defesa da comunidade que vive, trabalha e depende do Broa
Minha atuação é sempre construída com diálogo com moradores, comerciantes, trabalhadores, turistas e quem ama o Broa tanto quanto eu. Essa escuta permanente orienta minhas ações na Câmara e fortalece minha luta contra injustiças, arbitrariedades e decisões que prejudicam a região.
Portanto, quando me chamam de Bete do Broa, reconhecem a vereadora que não se esconde, que tem lado, que tem história e que defende com coerência aquilo que acredita, um Broa preservado, respeitado e tratado com responsabilidade ambiental e social.
2.  Itirapina busca se consolidar no circuito do turismo estadual. Na sua visão, quais são os principais incentivos e ações necessárias para atrair investimentos em hotelaria e infraestrutura de hospedagem para a cidade, de forma a reter os turistas por mais tempo?
Itirapina vive um momento importante para se consolidar no circuito do turismo estadual, e para atrair investimentos em hotelaria e infraestrutura de hospedagem é fundamental que o poder público demonstre planejamento, segurança jurídica e visão de longo prazo. Na minha atuação como vereadora, entendo que alguns incentivos e ações são indispensáveis para que os investidores enxerguem Itirapina como um destino sólido e atrativo:
1. Marco regulatório claro e estímulo ao empreendedor
Tenho defendido a atualização e a simplificação de normas municipais, especialmente as que envolvem uso e ocupação do solo, licenciamento e regularização de empreendimentos turísticos. Quando o investidor encontra regras claras, transparência e agilidade, ele se sente seguro para aplicar seu capital na cidade.
2. Incentivos fiscais e programas de fomento
É possível trabalhar, em parceria com o Executivo, políticas de incentivo, como redução temporária de ISS para novos meios de hospedagem, facilitação no IPTU progressivo para quem constrói ou amplia hotéis e pousadas, além de fomentar parcerias público-privadas para obras de apoio ao turismo.
3. Infraestrutura adequada, com prioridade para o Broa
Tenho atuado firmemente na cobrança de melhorias no entorno da represa do Broa, pois sabemos que infraestrutura de qualidade (acessos, iluminação, saneamento, segurança e sinalização turística) é determinante para que hotéis e pousadas vejam potencial de retorno. Um turista só permanece mais tempo onde encontra conforto, mobilidade e opções de lazer.
4. Fortalecimento do turismo sustentável e de experiências
Incentivar roteiros culturais, gastronômicos, esportivos e ambientais, muitos já existentes, mas pouco estruturados, é essencial para ampliar o tempo de permanência do visitante. Como representante da comunidade, venho trabalhando para que os atrativos locais sejam valorizados e integrados a um calendário municipal forte.
5. Promoção e marketing territorial
Investimentos em divulgação, participação em feiras e integração de Itirapina aos roteiros regionais do Estado são ações que venho cobrando e apoiando. Cidade que se promove bem atrai naturalmente empreendedores interessados em hotelaria e hospedagem.
6. Segurança jurídica, transparência e fiscalização eficiente
A credibilidade da gestão municipal, e é exatamente por isso que exerço meu papel de fiscalização com firmeza, é crucial para atrair grandes investimentos. Nenhum empresário coloca recursos em lugares onde há dúvidas sobre contratos, concessões ou licenças.
Em resumo: Itirapina tem potencial extraordinário, especialmente no Broa, e meu compromisso é continuar defendendo condições reais para que o turismo se torne uma matriz econômica forte: infraestrutura, incentivos, organização e seriedade na gestão pública. Assim, atrairemos hotéis, pousadas e empreendimentos capazes de manter o turista aqui por mais tempo, gerando emprego, renda e desenvolvimento sustentável para toda a cidade.
3. A Medalha de Honra ao Mérito na ALESP e a criação do “Encontro de Empoderamento da Mulher Itirapinense” destacam seu ativismo pela causa feminina. Na sua trajetória, quais foram os maiores obstáculos que a senhora enfrentou por ser mulher na política e como essas experiências moldam suas propostas de igualdade e empoderamento hoje?
A Medalha de Honra ao Mérito na ALESP e a criação do Encontro de Empoderamento da Mulher Itirapinense representam muito mais do que homenagens: são marcos de uma caminhada construída com coragem, enfrentamento e compromisso com a defesa das mulheres.
Na minha trajetória política, os maiores obstáculos que enfrentei estiveram, sim, ligados ao fato de ser mulher em um espaço ainda dominado por práticas machistas e por estruturas de poder que tentam desestimular a nossa presença. Sofri tentativas de silenciamento, perseguições políticas e violações graves que nenhuma mulher deveria enfrentar.
Tenho, inclusive, medida protetiva contra dois vereadores por violência política de gênero e também medida protetiva contra o marido da prefeita, atual secretário de Serviços Públicos, por perseguição política. Esses episódios mostram como, quando uma mulher ocupa o seu lugar de fala e exerce sua função com firmeza, muitas vezes o sistema tenta reagir com violência e intimidação.
Atualmente, respondo a uma CPI arbitrária, criada com o claro objetivo de tentar cassar meu mandato, a mesma estratégia que já enfrentaram antes, quando meu mandato anterior foi cassado injustamente, mas em apenas 15 dias a Justiça reconheceu o abuso e determinou minha reintegração. Tudo isso porque exerço, sem medo, minhas prerrogativas de fiscalização e denúncia.
Mas nenhuma dessas tentativas me fez recuar. Ao contrário, moldaram ainda mais o meu compromisso com a igualdade, a transparência e o empoderamento feminino.
É por isso que:
•criei o Encontro de Empoderamento da Mulher Itirapinense, que se tornou um espaço de formação, acolhimento e fortalecimento das lideranças femininas;
•atuo para que mais mulheres participem da política com segurança e respeito;
•defendo políticas públicas que garantam autonomia econômica, proteção e oportunidades para mulheres;
•incentivo o empreendedorismo feminino e a criação de redes de apoio;
•e mantenho forte articulação com movimentos estaduais como a Virada Feminina, fortalecendo nossa voz e ampliando nosso alcance.
Cada violência que tentei calar minha atuação apenas reforçou minha missão: garantir que nenhuma mulher passe pelo que eu passei. Minha luta é coletiva, é justa e é necessária. E enquanto eu estiver na política, estarei ao lado das mulheres, defendendo verdade, justiça e empoderamento.
4. Itirapina busca o título de “Capital do Cerrado Paulista”. Como a senhora enxerga o equilíbrio necessário entre o incentivo ao turismo, que gera desenvolvimento econômico, e a preservação absoluta do bioma Cerrado, que é fundamental para os recursos hídricos da região, inclusive da Represa do Broa?
Para mim, desenvolvimento só faz sentido quando respeita e preserva a nossa maior riqueza: o bioma Cerrado. Itirapina vive um momento muito especial, e inclusive já está tramitando na Alesp, a meu pedido, por meio do mandato da Deputada Estadual Márcia Lia, o projeto que reconhece nosso município como a Capital do Cerrado Paulista. Esse pedido não foi feito por acaso, pesquisas e estudos científicos comprovaram que Itirapina é hoje a cidade com a maior área de Cerrado preservado em toda a região.
Por isso, eu defendo que turismo e preservação não são opostos, mas complementares. O turismo que queremos para Itirapina é o turismo sustentável, responsável, que valoriza o nosso patrimônio natural e gera renda sem destruir aquilo que nos torna únicos. A Represa do Broa, por exemplo, é um dos nossos maiores bens ambientais e hídricos, e precisa ser cuidada com rigor absoluto.
Equilibrar tudo isso significa ter planejamento, fiscalização séria e políticas públicas que protejam o Cerrado enquanto impulsionam atividades econômicas que respeitam os limites ambientais. Se queremos ser a Capital do Cerrado Paulista, temos que ser também referência em preservação e gestão ambiental. E eu estou comprometida com isso.
Considerações Finais do(a) Entrevistado(a):
Quero dedicar minhas considerações finais ao Distrito de Itaquerí da Serra, um território que pertence à nossa querida Itirapina e que carrega um valor imensurável para a história do Brasil, por ser o berço de Ulisses Guimarães. Itaquerí é um distrito histórico, cultural, turístico e ambiental, um verdadeiro patrimônio que precisa e merece ser preservado, cuidado e valorizado como tal.
Infelizmente, muitos espaços públicos do distrito encontram-se deteriorados, quando poderiam, e deveriam estar reformados, revitalizados e até transformados em museus e centros de memória, porque história ali não falta. Cada rua, prédio antigo e manifestação cultural guarda capítulos importantes da identidade do nosso povo.
Também é fundamental evidenciar a potência do nosso Parque de Ecoturismo Cachoeira do Saltão, onde temos uma das mais belas quedas d’água da região, com seus 75 metros de altura. Um lugar que, além de sua exuberância natural, produz o delicioso Café Saltão e abriga atividades de turismo rural e de aventura, movimentando a economia local e fortalecendo nosso potencial turístico.
Quero ainda reforçar meu compromisso com o meio ambiente, que faz parte da identidade de Itaquerí e de toda Itirapina. Há 14 anos trabalho como voluntária na Cooperei – Cooperativa dos Recicladores de Itirapina, onde cuidamos de 15 famílias que vivem da reciclagem. Esse trabalho mostra, na prática, que cuidar da Mãe Natureza é cuidar do futuro, das questões climáticas e da sustentabilidade do nosso município. A reciclagem é um processo essencial, justo e necessário para construirmos uma cidade mais consciente, inclusiva e ambientalmente responsável.
Reafirmo meu compromisso com Itaquerí da Serra e com toda Itirapina. Preservar nossa história, valorizar nossa cultura, fortalecer o turismo e proteger o meio ambiente é garantir desenvolvimento com dignidade e respeito para as próximas gerações.

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Entrevista com o Professor Alexandre Panosso Netto: Teoria, Crítica e o Futuro do Turismo

Entrevistador: Luiz Maggio para o Clickus JONAL DIGITAL

Prezado Professor Panosso Netto, agradecemos imensamente por aceitar este espaço de diálogo. Sua trajetória acadêmica e suas contribuições para a epistemologia e a teoria do turismo são fundamentais para a compreensão dessa área do conhecimento. As perguntas a seguir buscam explorar um pouco de seu pensamento e de sua vasta experiência. O espaço abaixo de cada pergunta é todo seu para suas considerações.

1. Sua obra “Turismo. Perspectiva Crítica. Textos Reunidos”  e outros trabalhos consolidaram uma abordagem crítica nos estudos turísticos. Na sua avaliação, como a epistemologia e a filosofia do turismo evoluíram no Brasil desde que o senhor começou a lecionar, e que desafios ainda persistem?

– Creio que durante muito tempo a epistemologia e a filosofia ficaram esquecidas nos estudos do turismo no Brasil. A comunidade científica entre as décadas de 1980 e 1990 estava mais preocupada com as possibilidades de desenvolvimento do turismo, de sua gestão e de seus impactos, o que é válido, porém, em certos aspectos, a visão crítica ficou num segundo plano. Foi em fins da década de 1990 a epistemologia e a filosofia passaram a fazer parte dos estudos do turismo aqui em nosso país. A epistemologia, conhecida também por teoria do conhecimento, que é uma disciplina, podemos dizer que até é uma corrente filosófica. Ela investiga os limites do conhecimento. Ela se pergunta o que é possível conhecer, se é possível conhecer algo, qual a origem do conhecimento. Por ela também se estabelecem os conceitos de verdade, falsidade, erro, certeza, crença, etc. Esses todos são conceitos que fundamentam o discurso científico. Assim, por ser um ramo da filosofia, ao usarmos das ferramentas da epistemologia para pensar o conhecimento turístico, estamos filosofando sobre o tema. Então, nesses mais de 20 anos, tivemos avanços importantes no meio científico nacional de turismo. O primeiro avanço foi reconhecer nossas limitações na produção do conhecimento. Sabemos que a ciência não é neutra. Ela está a serviço de grupos de interesses. Está a serviço de grupos de pesquisadores, de associações científicas, de governos, de agências de fomento científico, etc. O segundo avanço foi reconhecer que os métodos científicos e as técnicas/ferramentas que eram utilizadas precisavam ser renovadas, calibradas. Precisávamos abrir o horizonte e ver o que foi e o que é feito lá fora em termos de ciência do turismo. Não para copiar, nem para simplesmente transferir modelos exógenos, mas sim para nos espelharmos, nos inspirarmos, olhando para nossa realidade e buscando respostas científicas comparando o que já foi feito em outros lugares do mundo e por outros pesquisadores.

Sei que podemos pensar que esse discurso não reverbera muito no mundo prático do turismo, e aqui reside um dos principais desafios existem nesta área: evidenciar, mostrar a um público mais amplo, a importância e a necessidade de se analisar criticamente e cientificamente os modelos, conceitos e sistemas “já dados” sobre o turismo. É necessário desvelar o que está acobertado e isso só será feito com a ciência. O senso comum só nos levará ao obscurantismo, pois turismo é um setor altamente tecnológico, de elevada gestão, que envolve profissionais capacitados, que necessita de ciência, não de achismo para poder funcionar da forma correta.

2. O senhor é coautor de obras fundamentais como “Teoria do turismo: conceitos, modelos e sistemas”, que possui edições no Brasil, na Espanha e em inglês pela Cabi . Na prática, como o diálogo entre a teoria produzida na academia e os profissionais que atuam no mercado turístico pode ser fortalecido para gerar um desenvolvimento mais sustentável e consciente?

– Este meu livro Teoria do Turismo: Conceitos, Modelos e Sistemas, que foi escrito em coautoria com o prof. Gui Lohmann, que hoje atua na Austrália, é um dos exemplos que tenho sobre o diálogo entre a teoria e a prática. Nele nós identificamos 73 conceitos, modelos e sistemas que foram criados para explicar ou responder a algum problema do turismo.

Por exemplo, o Modelo de Escolha de Destinos, desenvolvido por Gottfried A. Schmoll na década de 1970, que buscou explicar os motivos pelos quais um turista elege o destino a ser visitado por motivo de lazer. Temos também o Sistema Psicográfico de Stanley Plog, que lá na década de 1970 conseguiu – com estudos da psicologia – estabelecer uma correlação entre níveis de desenvolvimento de um destino turístico com a psicologia do turista. E temos o Modelo de Ciclo de Vida de um Destino Turístico, desenvolvido por Richard Butler na década de 1980. Neste modelo, ou teoria, Butler explicou como nascem, crescem, atingem a maturidade e morrem (ou se renovam) os destinos turísticos.

Ora, para um bom profissional de turismo é fundamental saber como os turistas escolhem os destinos, quais são suas preferências segundo sua psicografia e como os destinos se comportam com a chegada de visitantes e com o passar do tempo. Esses três autores explicaram com suas teorias, utilizando ciência, um pouco disso há mais de 40 anos. Obviamente que essas teorias já foram revisitadas, redefinidas, melhoradas, criticadas, refutadas em partes, mas elas foram importantes para fazer uma ponte entre os teóricos e o mundo prático do turismo.

Neste sentido, respondendo a segunda parte da sua pergunta, creio que os grupos do mercado turístico e da academia de turismo do Brasil devem se aproximar. Estamos todos falando do mesmo fenômeno, porém com interesses e perspectivas diferentes. Mas é o mesmo setor. Assim, os profissionais do mercado poderiam, de alguma maneira, se aproximarem da literatura publicada na área, das associações científicas do turismo, dos pesquisadores de turismo e até quem sabe, contratarem estudantes de graduação ou jovens egressos dos cursos superiores de turismo do Brasil. Esses jovens já reconhecem o vocabulário da área, as nuances do setor, conhecem métodos e ferramentas de investigação e podem trazer novos olhares para problemas práticos ainda não resolvidos. Por outro lado, os profissionais da academia de turismo – professores, pesquisadores, cientistas do turismo – devem deixar de lado conhecimentos pré-concebidos que fazem crítica rasa às práticas do mercado turístico. A crítica deve existir, mas fundamentada em conhecimentos consolidados e na ciência. Também podem aprimorar seus olhares de investigadores e passarem a estudar temas de maior relevância e necessários, sempre direcionados pela ética e colocando o ser humano como fator mais importante neste processo.

3. O senhor recebeu, entre outras honrarias, o Troféu Professor Mário Carlos Beni e o Prêmio Jabuti. Para além dos reconhecimentos, que legado o senhor, como educador e pesquisador, mais deseja deixar para as próximas gerações de estudiosos do turismo?

– O prêmio Jabuti recebi em 2011 pelo livro “Turismo de Experiência”, em parceria com a profa. Cecilia Gaeta e outros colegas. Era um momento em que a experiência turística estava em alta e o livro soube fazer uma leitura da realidade vivida naquele momento. O Troféu Mário Beni recebi em 2023 e representou um reconhecimento pelo trabalho acadêmico que venho desenvolvendo há 30 anos. Para meus alunos e sempre deixo a mensagem que eles devem escolher atuar numa área que gostam, sempre serem éticos em todos os aspectos da vida e se fundamentarem na boa literatura científica. Desejo também que todos sejam tão bem sucedidos que superem seus mestres, pois a maior prova da capacidade dos professores é serem superados por seus alunos.

4. Uma pesquisa recente da qual o senhor participou na USP investigou as competências necessárias para docentes em Turismo e Hotelaria. Os resultados indicam que “Experiência Prática” e “Domínio de Tecnologias” são competências altamente valorizadas. Como o senhor vê a integração entre a formação teórica crítica e a demanda por essas competências mais técnicas e aplicadas na sala de aula?

– Essa pesquisa foi desenvolvida numa tese de doutorado que orientei e esses dois itens se sobressaíram. Percebo que a formação teórica já deve ser crítica, pois o professor deve conduzir o aprendizado dos alunos pelo caminho dos múltiplos olhares da vasta literatura e pelas inúmeras possibilidades profissionais. A demanda por profissionais que saibam pensar, escrever, tomar decisões e tenham controle emocional é grande no mercado turístico e praticamente em toda a área de serviços. De todos os modos, percebo que cada vez mais os alunos chegam à universidade com falhas na formação básica, então os professores perdem um tempo precioso buscando suprir tais deficiências e acabam por fim tendo um tempo limitado para desenvolverem técnicas em sala de aula. Mas cada caso é único. Depende muito das pessoas, das instituições que elas atuam e das condições de trabalho de cada docente.

5. O senhor tem uma significativa atuação internacional, com projetos como o “STOREM” na Costa Rica  e passagem como professor visitante na Espanha. Olhando para o futuro, que lições oriundas da América Latina e da Europa o senhor considera mais promissoras para a construção de um turismo mais inteligente e responsável, na linha do T-Forum, do qual a USP é fundadora?

– Tive a oportunidade de ajudar na criação de um doutorado em turismo no México, um mestrado em turismo na Costa Rica e um mestrado e um doutorado em turismo no Brasil. Essas ações me levaram a compreender que praticamente temos ao menos um problema crônico na formação em turismo na América Latina, qual seja, o distanciamento entre a teoria e a prática. Esse problema não  é exclusivo de nossa região, mas sim mundial. Daí é que surgiu o grupo t-Forum. The tourism Intelligence, cujo único objetivo é criar ferramentas e atuar para unir o mercado turístico com a universidade.

O grupo t-Forum foi criado em 2015 e a USP é membro fundador. Estive e estou apoiando a proposta desde então. No Brasil temos uma iniciativa semelhante, que é o Lab Academia (www.labacademia.org.br) que busca unir os empresários do setor com os professores e alunos das universidades. Dito isso, as lições mais promissoras são a superação dos muros reais e imaginários que separam a universidade do mundo prático do turismo, a valorização da sustentabilidade, da acessibilidade universal e da inclusão e o apelo para o desenvolvimento de ações éticas e humanas no setor. São valores, que podemos dizer, universais.

Nota do Editor: O acrônimo STOREM significa “Sustainable Tourism & Environmental Management” (Turismo Sustentável e Gestão Ambiental).

Por fim, agradeço imensamente a oportunidade e as perguntas feitas. Creio que muitos dos desafios que enfrentamos no setor de turismo serão superados somente com muita visão crítica, ciência, inovação, profissionalismo e, claro, ética.

 

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