É com grande satisfação que o ClickUS Jornal Digital abre espaço para uma conversa essencial, conduzida por Luiz Maggio, Editor do ClickUS, com uma das vozes mais ativas e dedicadas do interior paulista: a Vereadora Bete do Broa.
Em um cenário onde o Turismo se consolida como vetor de desenvolvimento social e econômico, entender a visão e os projetos de quem atua diretamente no Legislativo é fundamental.
A Vereadora Bete do Broa não apenas representa sua base, mas carrega em sua trajetória o compromisso de transformar cidades por meio de políticas públicas eficazes no setor. Nesta entrevista exclusiva, ela compartilha seus desafios, as estratégias para atrair investimentos e o caminho para colocar o interior do estado no mapa dos grandes destinos turísticos do Brasil.
IMPORTANTE: As respostas e declarações contidas nesta entrevista são de total e exclusiva responsabilidade da entrevistada.
Acompanhe a seguir a visão de uma líder que faz da paixão pelo Turismo sua principal bandeira.
Bete. Obrigado por receber a reportagem do ClickUS. Vamos direto às perguntas.

1. O “Broa” no seu nome é mais do que um apelido, é uma identidade política. Como a senhora traduz a luta em defesa da Represa do Broa e do meio ambiente para a prática legislativa na Câmara Municipal, especialmente com sua formação em Gestão Ambiental?
O ‘Broa’ no meu nome não é um apelido, é a minha identidade política e a razão de grande parte da minha luta. A Represa do Broa representa muito mais do que um cartão-postal para Itirapina: ela é um patrimônio ambiental, social, econômico e turístico que precisa ser defendido diariamente.
Como vereadora e profissional formada em Gestão Ambiental, eu traduzo essa luta para a prática legislativa de três formas claras:
1. Fiscalização firme e sem medo
Acompanho de perto tudo o que envolve o Broa, da gestão da portaria e do pedágio às condições de manutenção, saneamento, segurança e uso adequado do espaço. Quando encontro irregularidades, eu denuncio. Quando identifico riscos ambientais, eu cobro soluções. Essa é a minha obrigação enquanto fiscal do povo, e faço isso com total transparência.
2. Propostas e políticas públicas voltadas ao meio ambiente e ao turismo sustentável
Minha formação me dá base técnica para propor projetos e requerimentos que garantam o uso responsável da represa, a proteção da biodiversidade, o estímulo ao turismo organizado e o fortalecimento do comércio local. Luto para que o Broa seja visto como eixo de desenvolvimento e não apenas como fonte de arrecadação.
3. Defesa da comunidade que vive, trabalha e depende do Broa
Minha atuação é sempre construída com diálogo com moradores, comerciantes, trabalhadores, turistas e quem ama o Broa tanto quanto eu. Essa escuta permanente orienta minhas ações na Câmara e fortalece minha luta contra injustiças, arbitrariedades e decisões que prejudicam a região.
Portanto, quando me chamam de Bete do Broa, reconhecem a vereadora que não se esconde, que tem lado, que tem história e que defende com coerência aquilo que acredita, um Broa preservado, respeitado e tratado com responsabilidade ambiental e social.
2. Itirapina busca se consolidar no circuito do turismo estadual. Na sua visão, quais são os principais incentivos e ações necessárias para atrair investimentos em hotelaria e infraestrutura de hospedagem para a cidade, de forma a reter os turistas por mais tempo?
Itirapina vive um momento importante para se consolidar no circuito do turismo estadual, e para atrair investimentos em hotelaria e infraestrutura de hospedagem é fundamental que o poder público demonstre planejamento, segurança jurídica e visão de longo prazo. Na minha atuação como vereadora, entendo que alguns incentivos e ações são indispensáveis para que os investidores enxerguem Itirapina como um destino sólido e atrativo:
1. Marco regulatório claro e estímulo ao empreendedor
Tenho defendido a atualização e a simplificação de normas municipais, especialmente as que envolvem uso e ocupação do solo, licenciamento e regularização de empreendimentos turísticos. Quando o investidor encontra regras claras, transparência e agilidade, ele se sente seguro para aplicar seu capital na cidade.
2. Incentivos fiscais e programas de fomento
É possível trabalhar, em parceria com o Executivo, políticas de incentivo, como redução temporária de ISS para novos meios de hospedagem, facilitação no IPTU progressivo para quem constrói ou amplia hotéis e pousadas, além de fomentar parcerias público-privadas para obras de apoio ao turismo.
3. Infraestrutura adequada, com prioridade para o Broa
Tenho atuado firmemente na cobrança de melhorias no entorno da represa do Broa, pois sabemos que infraestrutura de qualidade (acessos, iluminação, saneamento, segurança e sinalização turística) é determinante para que hotéis e pousadas vejam potencial de retorno. Um turista só permanece mais tempo onde encontra conforto, mobilidade e opções de lazer.
4. Fortalecimento do turismo sustentável e de experiências
Incentivar roteiros culturais, gastronômicos, esportivos e ambientais, muitos já existentes, mas pouco estruturados, é essencial para ampliar o tempo de permanência do visitante. Como representante da comunidade, venho trabalhando para que os atrativos locais sejam valorizados e integrados a um calendário municipal forte.
5. Promoção e marketing territorial
Investimentos em divulgação, participação em feiras e integração de Itirapina aos roteiros regionais do Estado são ações que venho cobrando e apoiando. Cidade que se promove bem atrai naturalmente empreendedores interessados em hotelaria e hospedagem.
6. Segurança jurídica, transparência e fiscalização eficiente
A credibilidade da gestão municipal, e é exatamente por isso que exerço meu papel de fiscalização com firmeza, é crucial para atrair grandes investimentos. Nenhum empresário coloca recursos em lugares onde há dúvidas sobre contratos, concessões ou licenças.
Em resumo: Itirapina tem potencial extraordinário, especialmente no Broa, e meu compromisso é continuar defendendo condições reais para que o turismo se torne uma matriz econômica forte: infraestrutura, incentivos, organização e seriedade na gestão pública. Assim, atrairemos hotéis, pousadas e empreendimentos capazes de manter o turista aqui por mais tempo, gerando emprego, renda e desenvolvimento sustentável para toda a cidade.
3. A Medalha de Honra ao Mérito na ALESP e a criação do “Encontro de Empoderamento da Mulher Itirapinense” destacam seu ativismo pela causa feminina. Na sua trajetória, quais foram os maiores obstáculos que a senhora enfrentou por ser mulher na política e como essas experiências moldam suas propostas de igualdade e empoderamento hoje?
A Medalha de Honra ao Mérito na ALESP e a criação do Encontro de Empoderamento da Mulher Itirapinense representam muito mais do que homenagens: são marcos de uma caminhada construída com coragem, enfrentamento e compromisso com a defesa das mulheres.
Na minha trajetória política, os maiores obstáculos que enfrentei estiveram, sim, ligados ao fato de ser mulher em um espaço ainda dominado por práticas machistas e por estruturas de poder que tentam desestimular a nossa presença. Sofri tentativas de silenciamento, perseguições políticas e violações graves que nenhuma mulher deveria enfrentar.
Tenho, inclusive, medida protetiva contra dois vereadores por violência política de gênero e também medida protetiva contra o marido da prefeita, atual secretário de Serviços Públicos, por perseguição política. Esses episódios mostram como, quando uma mulher ocupa o seu lugar de fala e exerce sua função com firmeza, muitas vezes o sistema tenta reagir com violência e intimidação.
Atualmente, respondo a uma CPI arbitrária, criada com o claro objetivo de tentar cassar meu mandato, a mesma estratégia que já enfrentaram antes, quando meu mandato anterior foi cassado injustamente, mas em apenas 15 dias a Justiça reconheceu o abuso e determinou minha reintegração. Tudo isso porque exerço, sem medo, minhas prerrogativas de fiscalização e denúncia.
Mas nenhuma dessas tentativas me fez recuar. Ao contrário, moldaram ainda mais o meu compromisso com a igualdade, a transparência e o empoderamento feminino.
É por isso que:
•criei o Encontro de Empoderamento da Mulher Itirapinense, que se tornou um espaço de formação, acolhimento e fortalecimento das lideranças femininas;
•atuo para que mais mulheres participem da política com segurança e respeito;
•defendo políticas públicas que garantam autonomia econômica, proteção e oportunidades para mulheres;
•incentivo o empreendedorismo feminino e a criação de redes de apoio;
•e mantenho forte articulação com movimentos estaduais como a Virada Feminina, fortalecendo nossa voz e ampliando nosso alcance.
Cada violência que tentei calar minha atuação apenas reforçou minha missão: garantir que nenhuma mulher passe pelo que eu passei. Minha luta é coletiva, é justa e é necessária. E enquanto eu estiver na política, estarei ao lado das mulheres, defendendo verdade, justiça e empoderamento.
4. Itirapina busca o título de “Capital do Cerrado Paulista”. Como a senhora enxerga o equilíbrio necessário entre o incentivo ao turismo, que gera desenvolvimento econômico, e a preservação absoluta do bioma Cerrado, que é fundamental para os recursos hídricos da região, inclusive da Represa do Broa?

Para mim, desenvolvimento só faz sentido quando respeita e preserva a nossa maior riqueza: o bioma Cerrado. Itirapina vive um momento muito especial, e inclusive já está tramitando na Alesp, a meu pedido, por meio do mandato da Deputada Estadual Márcia Lia, o projeto que reconhece nosso município como a Capital do Cerrado Paulista. Esse pedido não foi feito por acaso, pesquisas e estudos científicos comprovaram que Itirapina é hoje a cidade com a maior área de Cerrado preservado em toda a região.
Por isso, eu defendo que turismo e preservação não são opostos, mas complementares. O turismo que queremos para Itirapina é o turismo sustentável, responsável, que valoriza o nosso patrimônio natural e gera renda sem destruir aquilo que nos torna únicos. A Represa do Broa, por exemplo, é um dos nossos maiores bens ambientais e hídricos, e precisa ser cuidada com rigor absoluto.
Equilibrar tudo isso significa ter planejamento, fiscalização séria e políticas públicas que protejam o Cerrado enquanto impulsionam atividades econômicas que respeitam os limites ambientais. Se queremos ser a Capital do Cerrado Paulista, temos que ser também referência em preservação e gestão ambiental. E eu estou comprometida com isso.
Considerações Finais do(a) Entrevistado(a):
Quero dedicar minhas considerações finais ao Distrito de Itaquerí da Serra, um território que pertence à nossa querida Itirapina e que carrega um valor imensurável para a história do Brasil, por ser o berço de Ulisses Guimarães. Itaquerí é um distrito histórico, cultural, turístico e ambiental, um verdadeiro patrimônio que precisa e merece ser preservado, cuidado e valorizado como tal.
Infelizmente, muitos espaços públicos do distrito encontram-se deteriorados, quando poderiam, e deveriam estar reformados, revitalizados e até transformados em museus e centros de memória, porque história ali não falta. Cada rua, prédio antigo e manifestação cultural guarda capítulos importantes da identidade do nosso povo.
Também é fundamental evidenciar a potência do nosso Parque de Ecoturismo Cachoeira do Saltão, onde temos uma das mais belas quedas d’água da região, com seus 75 metros de altura. Um lugar que, além de sua exuberância natural, produz o delicioso Café Saltão e abriga atividades de turismo rural e de aventura, movimentando a economia local e fortalecendo nosso potencial turístico.
Quero ainda reforçar meu compromisso com o meio ambiente, que faz parte da identidade de Itaquerí e de toda Itirapina. Há 14 anos trabalho como voluntária na Cooperei – Cooperativa dos Recicladores de Itirapina, onde cuidamos de 15 famílias que vivem da reciclagem. Esse trabalho mostra, na prática, que cuidar da Mãe Natureza é cuidar do futuro, das questões climáticas e da sustentabilidade do nosso município. A reciclagem é um processo essencial, justo e necessário para construirmos uma cidade mais consciente, inclusiva e ambientalmente responsável.
Reafirmo meu compromisso com Itaquerí da Serra e com toda Itirapina. Preservar nossa história, valorizar nossa cultura, fortalecer o turismo e proteger o meio ambiente é garantir desenvolvimento com dignidade e respeito para as próximas gerações.
Agradecemos a todos pela BOA leitura e participação!
Luiz Maggio .’.
Jornalista MTB 62420
Editor do Jornal Digital ClickUS – Acontecimentos Mundiais
www.clickus.com.br
Conselheiro de Turismo do Estado de SP – CONTURESP
Conselheiro de Turismo do Município de SP – COMTUR
Vice-Presidente da ABRAJET SP
E-mail: luizmaggio@gmail.com
WhatsApp: +55 (11) 98270-1536
Sobre o Jornal Digital ClickUS
O ClickUS Jornal Digital é um veículo dedicado a promover o turismo, a cultura e os negócios no Brasil e no exterior. Com uma abordagem dinâmica e informativa, destacamos iniciativas e personalidades que contribuem para o desenvolvimento do setor.
Aguardo seus comentários e contribuições para enriquecer esta entrevista!
Atenciosamente,
Luiz Maggio – EDITOR
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